Se precisamos conhecer o passado para compreender o presente e planejar o futuro, então pegue um café — esse papo vai longe. Da carta de Pero Vaz de Caminha ao Portal Único de Comércio Exterior, veja como as importações brasileiras chegaram até aqui.
Tudo começou quando os portugueses chegaram ao Brasil e constataram que o novo mundo era recheado de riquezas. Pero Vaz de Caminha escreveu uma carta à corte portuguesa informando tudo o que Pedro Álvares Cabral e sua expedição haviam encontrado no caminho para as Índias. Mas esse é só o começo: houve um hiato de mais de 300 anos até que o comércio exterior efetivamente acontecesse no Brasil.
Em 1808, quando D. João VI veio de Portugal e se instalou com a família em terras brasileiras, ele decretou a abertura dos portos. Com isso, seria possível vender produtos abundantes em nosso território, como açúcar, algodão e tabaco, e comprar mercadorias europeias.
A abertura dos portos proporcionou o crescimento da economia, representando o primeiro passo para a emancipação do país. A chegada das indústrias ocorreu em 1844, quando o governo brasileiro extinguiu o Tratado Comercial com a Grã-Bretanha, aumentando o custo dos produtos importados.
Ponto de atenção
O decreto, chamado Carta Régia de Abertura dos Portos Brasileiros às Nações Amigas e assinado em 28 de janeiro de 1808, impedia a comercialização do pau-brasil.
Nos anos 80, o Brasil viveu um período complicado para a importação. Havia um programa de proteção à indústria nacional que impedia a maioria das compras de produtos internacionais: quem tentava importar se deparava com uma imensidão de formulários e autorizações, e a aprovação da compra era praticamente uma loteria. O país chegou a ter uma das mais altas tarifas de importação do mundo.
A ideia do programa era aumentar a produção industrial para que não fosse necessário comprar nada no exterior. Mas, na prática, a teoria é diferente: existem produtos e tecnologias que não são fabricados no Brasil, colocando o país em séria desvantagem comercial. Os importadores mais antigos reconhecem o gosto amargo desse período até hoje, nas burocracias e na defasagem tecnológica que ele deixou.
Na década de 90, o Brasil implementou a abertura comercial com redução de tarifas de importação. Em 1991 foi criado o Mercosul, organização intergovernamental para estabelecer livre comércio entre os países-membros, além da Organização Mundial do Comércio (OMC), organismo multilateral que regulamenta o comércio internacional.
No ano seguinte, foi criado o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), a partir do Decreto 660 — mas o Siscomex Importação só foi implementado em 1997. O sistema foi pioneiro no mundo para o controle administrativo e aduaneiro das operações de comércio exterior, reunindo informações de todas as etapas das importações e exportações em um único lugar, fiscalizado pela Receita Federal, pela Secretaria de Comércio Exterior e pelo Banco Central.
De 1997 a 2012, o Siscomex funcionou off-line. Em 2012, passou a funcionar online, facilitando ainda mais as compras internacionais. Em 2013, outra novidade: nasceu o Portal Único de Comércio Exterior, derivado do projeto de simplificação e reformulação das importações, exportações e movimentação aduaneira no Brasil.
O Brasil já figurou entre os 30 maiores importadores do mundo, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), com óleos combustíveis, adubos e fertilizantes químicos e produtos da indústria de transformação entre os itens mais comprados fora do país. China, Estados Unidos e Argentina historicamente lideram a lista de parceiros comerciais do Brasil nas importações.
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